Um diário do que acontece e do que não acontece no Grupo de Estudos e Pesquisas "Eneida de Moraes" - Universidade Federal do Pará
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Cine-Gênero: “Que Horas Ela Volta?” filme de Anna Muylarte, com Regina Casé
Cine-Gênero: “Que Horas Ela Volta?” filme de Anna Muylarte, com Regina Casé
Debatedoras: Edila Moura, Angelica Maués, Telma Amaral, Jorgete Lago, Ursula Ferro
Dia: 18/12/2015
Hora: 09h às 12h
Local: Auditório do IFCH (altos)
Inscrição secretariagepem@gmail.com
Certificado de participação – 4h
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
DIREITOS HUMANOS, POLITICAS PÚBLICAS E ÁREAS DE ENTRAVES NA SUPERAÇÃO DA CULTURA DA VIOLÊNCIA
DEZEMBRO
ENCONTRO DAS TEMÁTICAS DAS LINHAS DE PESQUISA
Coordenadora – Luzia Álvares (FCS/GEPEM)
SEMINÁRIO
Direitos Humanos, políticas públicas e áreas de entraves na superação da
cultura da violência
Coordenadores Temáticos – Luzia Álvares, Nilson Sousa
Jr., Ivonete Pinheiro; João Santiago
Cine-Gênero:
“Que Horas Ela Volta?” filme de Anna Muylarte, com Regina Casé
Debatedoras:
Edila Moura, Angelica Maués, Telma Amaral, Jorgete Lago, Ursula Ferro
Dia:
18/12/2015
Hora:
09h às 12h
Local: Auditório do IFCH (altos)
Certificado
de participação – 4 h
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
FINAL DO ANO. FINAL DAS ATIVIDADES NO GEPEM/UFPA
Este
ano de 2015 foi prolífico em atividades acadêmicas (pesquisa e extensão) no
GEPEM/UFPA. No início do ano, como de praxe, foram convocadas/os todas/os as/os
associadas/os para uma reunião de elaboração da agenda de estudos do grupo. As
que participaram elaboraram os temas para seminários mensais com base nas
linhas de pesquisa que pudessem contribuir não só com a apresentação de
assuntos em discussão sobre a situação dos gêneros, mas agrupando antigos e
novos objetos de estudos. Essa dinâmica foi pensada para contribuir com os
processos de apreensão dessas matérias numa abordagem que pudesse beneficiar
não somente ao grupo mas a todxs que estivessem interessados em discutir a
questão dos Direitos Humanos que sempre circulou como proposta maior em nossas
reuniões acadêmicas.
O
que pensar para encerrar as atividades de 2015 e avaliar as novas temáticas para
2016 ?
Numa
primeira ideia circulou a perspectiva de imagens marcando esses temas. E
permaneceu. Usar o cinema como veiculador dessas imagens tornou-se, então, o
mote da vez. Mas o que exibir concentrando os temas debatidos?
AGUARDEM!
AS IDEIAS ESTÃO CHEGANDO!
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Mesa Redonda: “Ser transexual é carregar no corpo a marca da violência”: sobre vivências trans
Victor Arruda, MÃOS- 2014
Dia
01.12.2015:
Mesa
Redonda: “Ser transexual é carregar no corpo a marca da violência”:
sobre vivências trans
Expositorxes:
Barbara Pastana (Grupo Homossexual do Pará/GHP)
Paula Silva Duarte (Movimento de Homossexuais de
Belém/MHB)
Sebastian Salustiano (Rede Nacional de Pessoas
Trans)
Augusto Magalhães (Coletivo de Homens Trans)
Linha de Pesquisa “Gênero, corpos e
(homo)sexualidades”
Coordenadorxs – Telma Amaral Gonçalves (FCS/GEPEM)
/ Edyr Batista de Oliveira Júnior (PPGA/GEPEM)
Tema em discussão
Negociando fronteiras: pensando corpos trans
Coordenadoras
Temáticas – Telma Amaral Gonçalves (FCS/GEPEM)/Eli do Socorro Gonçalves
Pinheiro (PPGA/UFPA)
Bibliografia
complementar:
Ávila, Simone e Grossi, Miriam
Pillar. O “y” em questão: as transmasculinidades brasileiraS.
Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis,
2013. [Ver online] [BAIXAR]
Bento, Berenice. Corpos e Próteses: dos
Limites Discursivos do Dimorfismo. Anais do Seminário Internacional
Fazendo Gênero em Florianópolis, 7, 1-7. [Ver online] [BAIXAR]
______. A
diferença que faz a diferença: corpo e subjetividade na transexualidade.
Bagoas. n. 04 | 2009 | p. 95-112 [Ver online] [BAIXAR]
Cordeiro, Ana Carolina Silva
e Scott, Russell Parry.Transmasculinidades e Saúde: Reflexão
sobre Experiências de Usuários Transexuais do Consultório de Rua em Recife/PE.
Anais da V REA XIV ABANNE, 2015. [Ver online] [BAIXAR]
Jesus, Jaqueline Gomes de e
Alves, Alves Hailey .Feminismo transgênero e movimentos de mulheres
transexuais.Cronos. Revista do programa de pós-graduação em ciências
da UFRN. [Ver online] [BAIXAR]
Leite, Jorge. Transitar para
onde? Monstruosidade, (dês)patologização, (in)segurança social e identidades
transgêneras. Estudos Feministas, Florianópolis, 20(2): 256, maio-agosto/2012
[Ver online] [BAIXAR]
Louro, Guacira Lopes. Gênero e
sexualidade: pedagogias contemporâneas. Pro-Posições, v. 19, n. 2 (56) -
maio/ago. 2008. [Ver Online] [BAIXAR]
Nery, João. Viagem Solitária.
Memórias de um transexual de 30 anos. São Paulo:Leya , 2011.
Reidel, Marina. A pedagogia do salto
alto. Histórias de professoras transexuais e travestis na educação
brasileira. Programa de Pós Graduação em Educação:UFRGS, Porto Alegre. Dissertação de Mestrado,
2013. [Ver Online] [BAIXAR]
Souza, Heloisa Aparecida de. Os
desafios do trabalho na vida cotidiana das mulheres. Programa de Pós
Graduação em Psicologia:PUC/Campinas.
Dissertação de Mestrado, 2012. [Ver Online] [BAIXAR]
Vídeos:
Dzi croquetes
De gravata e unha vermelha
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
A CULTURA DO COTIDIANO DOMÉSTICO NA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
Luzia Álvares
As
mulheres, por muitos séculos, desconheciam direitos fundamentais de sua própria
vida. Nessa linha de baixa informação sobre si mesmas como seres humanos aprendiam
que “cuidar dos outros” era sua verdadeira maneira de ser mulher. Não se
importavam com isso porque esse “cuidado” era vertido para a conjugação do
verbo amar. A sociedade apontava-as como as responsáveis pela perpetuação
dessas atitudes mesmo que para isso aprendessem a subjugação hierarquizada através
do látego que cortava suas carnes e as deformava fisicamente. Aprendiam e
internalizavam psicologicamente que seu destino era o da submissão à
organização da família – se é que a tinham – ou aos duros trabalhos para manter
um grupo familiar que dizia serem elas “parte” quando na verdade eram apenas “o
outro”, carregando, a vida inteira, a existência do “um”. Apontadas como culpadas
quando suas práticas fugiam ao padrão estabelecido socialmente para o seu
gênero sofriam acusações de divergirem da pauta tradicional, nas várias épocas,
deixando de ensinar o que as normas definiam como verdades.
Um aporte de Elizabeth Badinter (1987,
“Um é o outro”) revela-se iluminador de toda a motivação dos embustes que
aprisionaram as mulheres em cárceres, alguns dourados, outros fétidos, mas
todos sob algemas: tratava-se de “... uma dominação
política, cultural e financeira. Tendo como meio uma depreciação biológica
(...).
Os
questionamentos sobre essa versão diferenciada de que “um não é o outro”
fizeram essa autora questionar: “Será o amor materno um instinto, uma tendência
feminina inata, ou depende, em grande parte, de um comportamento social,
variável de acordo com a época e os costumes? (Badinter, 1980, “O Mito do Amor
Materno”).
As
versões sobre a diferenciação do tratamento secular nas relações sociais entre
mulheres e homens proliferaram socialmente, trazendo todo o tipo de atitudes
violentas contra elas para que a manutenção do padrão de relacionamento entre
os gêneros mantivesse a hierarquização do “um” sobre o “outro”.
Mas
havia as ousadas que interpelaram esse viver empobrecido e se interpuseram a
frente das indagações sobre o porquê de tratamento tão desumano contra elas, não
só pela desigualdade familiar e social, mas pela criação de normas
consuetudinárias que se transformavam em princípios legais para manterem o
comportamento feminino já estabelecido pelo sistema patriarcal incorporado nas
várias correntes de pensamento favorecendo o conhecimento cientifico a manter a
falácia da superioridade do “eu” masculino sobre o “outro” (feminino). A
sabedoria feminina criava argumentações que projetava ideias novas nas
vertentes dos caminhos que elas passaram a abrir em todas as frentes. E a
violação de direitos excluindo-as de partes importantes do percurso humano deu-lhes
a visão de que deveriam ir à luta e conquistar o que era seu.
E
neste longo processo de lutas conquistaram adeptos e construíram sua versão do
que representavam na construção da história humana. Quebraram as amarras ao biológico,
mostraram que a sexualidade deveria ser uma questão pessoal de opção e não de
imposição, destruíram as normas que decidiam o comportamento, a indumentária, o
nível da inteligência, as formas de ser afetivas e livres para ser o que bem
quisessem.
E
assim se escreve o percurso histórico do enfrentamento das mulheres pela
transformação radical da sociedade com a inclusão de seus direitos civis,
políticos e sociais, incorporando-se na luta mundial através do movimento
feminista, associando-se aos órgãos internacionais e aos adeptos de suas causas,
realizando conjuntamente conferências, assinando convenções para denunciar os casos cada vez maiores de práticas
de violência de gênero intentando eliminar todas as formas de discriminação
contra o seu gênero. Machismo, homofobia – anti-valores culturais ancestrais – convergiam
para práticas demonstrativas da cultura patriarcal disseminada socialmente e
que teimavam em resistir ao reconhecimento das mulheres enquanto humanas.
Em 1994, na Convenção Interamericana para Prevenir,
Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, mais conhecida como a Convenção de Belém do Pará, a abordagem da
violência doméstica e sexual contra as
mulheres, um fenômeno que não é novo e que se arrasta há séculos – tornando-se
refrão popular o dito “briga de marido e mulher não se mete a colher” – tornou-se
um marco histórico para iniciar um novo momento da luta pela judicialização do
problema e criminalização da ação de coação e tirania praticadas contra esse
gênero. A punição aos atos de violência foi se inserindo então em resoluções,
códigos e leis, no Brasil, ganhando reforço com a Lei 11.340,
Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006, com vistas a incrementar o rigor das punições para esse tipo de
crime. Uma síntese da Lei, na Introdução do texto, compromete essa preocupação:
Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar
contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a
Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de
Execução Penal; e dá outras providências.
Mais recentemente, em março de 2015 foi sancionada a Lei 13.104/2015, a
Lei do Feminicidio, “classificando-o como crime hediondo e com agravantes
quando acontece em situações específicas de vulnerabilidade (gravidez, menor de
idade, na presença de filhos etc.).” (Mapa da Violência 2015- Homicídios de
Mulheres no Brasil). Não há unanimidade ainda nas definições dessa lei, sendo
criticada por diversos operadores da lei e dos movimentos sociais e de mulheres,
contudo, os esclarecimentos sobre ela na pesquisa que foi realizada por Julio
Jacobo Waiselfisz (Instituto Sangari, SP) utilizou como “ponto de partida para
a caracterização de letalidade intencional violenta por condição de sexo” (...)
e a existência de feminicidio “quando a agressão envolve violência doméstica e
familiar, ou quando evidencia menosprezo ou discriminação à condição de mulher,
caracterizando crime por razões de condição do sexo feminino. “ (idem, p. 8).
Estudos e pesquisas utilizando-se de dados das
mais variadas fontes têm escancarado as comportas motivacionais sobre a ação
violenta contra as mulheres com evidências para o tipo, a posição do agressor e
o local da ocorrência desse fenômeno. A importância do conhecimento sobre os
números de casos que comprometem a vida das mulheres e outras informações que
demonstrem a dimensão desse estado de sofrimento desse gênero em sua própria
casa com agressões do próprio parceiro se torna fundante para que seja possível
romper com a cultura desse cotidiano de violência doméstica ao instruir as
mulheres sobre sua condição de humana e de sua autonomia em viver como quiser.
A vida é nossa e o universo é o espaço de
convivência da raça humana que espera ser feliz.
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