sexta-feira, 25 de novembro de 2022

25 DE NOVEMBRO - DIA LATINO-AMERICANO E CARIBENHO DE LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA À MULHER - ONU/1999

25 DE NOVEMBRO - DIA LATINO-AMERICANO E CARIBENHO DE LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA À MULHER - ONU/1999

O dia 25 de novembro foi denominado o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher homenageando três irmãs, ativistas políticas: Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, brutalmente assassinadas pela ditadura de Leonidas Trujillo, na República Dominicana. O fato, que culminou nesse episódio trágico, originou-se de um agravo sofrido por Minerva, assediada por Trujillo durante o “Baile do Descobrimento”, em 12 de outubro de 1949, para o qual fora convidada toda a família. Impulsiva, a jovem repele injuriada o ditador e, então, toda a família foge do baile antes do final, atitude vista pelos órgãos oficiais como afronta dos Mirabal ao governo. A partir desse incidente as três mulheres e seus familiares passam a sofrer forte repressão.

Perdem a casa e os recursos financeiros, contudo, em um olhar pelo país, percebem o abalo no sistema econômico em geral, com o governo de Trujillo levando ao caos financeiro. Elas formam, então, um grupo de oposição ao regime tornando-se conhecidas como Las Mariposas. Por diversas vezes foram presas e torturadas, mas não deixaram de lutar contra a ditadura. Decidido a eliminar essa oposição, Trujillo manda seus homens armarem uma emboscada às três mulheres, interceptando-as no caminho da prisão aonde iam em visita aos maridos. Conduzidas a uma plantação de cana de açúcar foram apunhaladas e estranguladas em 25 de novembro de 1960. Esse fato causou grande impacto entre os dominicanos que passaram a apoiar as ideias das jovens, reagindo às arbitrariedades do governo e, em maio de 1961, o ditador foi assassinado. (continua no Blog)

https://www.observatorioregional-gepem.com.br/single-post/2019/11/25/viol%C3%AAncia-contra-as-mulheres-e-viol%C3%AAncia-pol%C3%ADtica-a-morte-das-mirabal?fbclid=IwAR0UCOrWkQjnKbDc_JKKeeKUqQjGHeMTWpOTdkOSnLndtVDs5w4ocG2Tvzk

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Aula pública “Gênero, Raça e Classe na Ciência Brasileira”

 




No dia 28 de outubro, sexta-feira, no Mercado de São Brás, ocorrerá a aula pública “Gênero, Raça e Classe na Ciência Brasileira" com a professora Vivian Matias.

Professora Associada da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Vivian Tem experiência em pesquisas científicas transdisciplinares, com ênfase nos estudos de Gênero e Feministas, atuando principalmente nos seguintes temas: feminismos contra coloniais; epistemologias feministas; crítica feminista à ciência e às políticas de ciência e tecnologia.

Traga a sua bandeira, material de campanha e venha se unir a esse ato em defesa da ciência, das mulheres e da democracia!!

Aula pública “Gênero, Raça e Classe na Ciência Brasileira”

Dia: 27 de outubro, sexta-feira

17h00

Mercado de São Brás

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Projeto editorial Dossiê Interdisciplinaridade e saberes em saúde – Agosto - Dezembro2022


  

 Projeto editorial Dossiê Interdisciplinaridade e saberes em saúde – Agosto - Dezembro2022


Em 2020, o pilar da Saúde adquiriu uma dimensão figural no contexto mundial pela afetação no mundo da vida, ou seja, em todas as esferas sociais humanas, animais, natureza e ecológicas pelo acometimento da pandemia da COVID 19, provocando danos em saúde mental, física, social e comunitária.

Deste modo, envidamos esforços para refletir, atualizar e divulgar conhecimentos contendo estratégias de abordagem interdisciplinar em saúde. Assim, pelo GEPEM organizamos o Dossiê Interdisciplinaridade e saberes em saúde cuja proposta é divulgar materiais que focalizem sobre:

a) O conceito de saúde das mulheres;
b) Vivências e cultura pessoal e geracional sobre uso das plantas e ervas medicinais no
tratamento de saúde das comunidades quilombolas e indígenas
c) Psicoterapia gestáltica e centrada na pessoa;
d) Percepções das mulheres sobre o seu lugar no mundo e como usuárias dos serviços
de saúde;
e) Linguagens do cuidado praticadas por mulheres.

Editoras:
Profa. Dra. Adelma Pimentel – UFPA/GEPEM
Profa. Dra. Maria Luzia Miranda Álvares – UFPA/GEPEM Profa. Dra. Maria de Nazareth Malcher – UNB/UFPA/PPGP

Editoras de seção
Resenhas de livros em Gestalt-terapia e fotobiografias: Profa. MS. Lorena Schalken – UFPA/PPGP/NUFEN

Relatos de experiência: Profa. Especialista Lorena Santana – UFPA/PPGP/FOCO

Convidamos as pesquisadoras e pesquisadores que atuam nas Universidades Públicas e Privadas; nas Instituições de Saúde Mental; Saúde da Família; Unidades Básicas; Hospitais; profissionais liberais; ativistas de Organizações Sociais a enviar artigos nas formas de:

1. relatos de pesquisa: 15 laudas
2. relatos de experiência: 10 laudas
3. resenhas de livros sobre saúde mental; PICs; Fenomenologia; Gestalt-terapia publicados
em 2021: 10 laudas
4. fotobiografias: 10 laudas

Sobre a Revista: Qualis B2.
Link: http://www.generonaamazonia.com/index.php Enviar para: adelmapi@ufpa.br
Normas: ABNT
Prazo: 31/09/2022

sábado, 27 de agosto de 2022

28 ANOS DE GEPEM

 


GEPEM/UFPA – 28 ANOS NESTE 27 DE AGOSTO DE 2022

Um Percurso entre chegadas e (novas) caminhadas

Os primeiros diálogos para a criação de um grupo de estudos sobre a questão da mulher ocorreram no início dos anos oitenta, entre as Professoras Edna Castro, Rosa Acevedo e sua então orientanda no NAEA, Luzia Álvares, docente do Departamento de Ciências Sociopolíticas, do CFCH/UFPA, que àquela altura realizava sua pós-graduação. As três se reuniram e esboçaram um primeiro documento sobre objetivos e metas de criação do grupo.

Essa articulação foi retomada após o I Encontro de Pesquisadoras sobre a Mulher e Relações de Gênero do Norte e Nordeste, promovido pelo NEIM/UFBA, em 1992 – chamado pelas Professoras Ana Alice Costa e Cecília Sardenberg, que culminou com a criação da REDOR-N/NE. O modelo desse evento estimulou, no âmbito paraense, a que o grupo inicialmente formado no NAEA com três participantes, fossem agregadas/os outros/as pesquisadoras/es, contemplando várias áreas de conhecimento, como: História (Nazaré Sarges, Edilza Fontes, José Maia); Psicologia (Eunice Guedes e suas bolsistas do PIBIC); Antropologia (Angélica Motta-Maués); Ciência Política (Luzia Álvares); Literatura (Eunice Santos); Saúde (Suzanne Serruya/UEPA). Com essa adesão ampliou-se a chamada a outros/as docentes da universidade, culminando com a oficialização do grupo, no Auditório do IFCH/UFPA, em 27/08.

Esse processo constituiu um marco de efeitos colaterais sobre o enfoque de estudos e da história das mulheres, ao congregar tanto pesquisadoras da UFPA quanto de universidades particulares e estaduais do Pará, formando um eixo interdisciplinar em diversas áreas de conhecimento com as Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, Saúde, Educação etc.

Entre os anos 1992 e 1994, os indícios no ambiente amazônico, da nova temática estava se tornando um ponto de convergência, um centro de debates, na rede teórica das Ciências Sociais e nos movimentos de mulheres. A representante do CFCH no Comitê de Pesquisa da UFPA, Profa. Maria Angélica Motta-Maués organizou e realizou, em janeiro de 1992 , o I Encontro de Pesquisadores do Centro de Filosofia, publicizando os resultados de pesquisas e os projetos em andamento naquela unidade acadêmica, reunindo-se sete comunicações no Grupo Temático I – “Questões de Gênero: Identidade, Processos de Trabalho e Participação Política.

O VI Encontro de Ciências Sociais Norte/Nordeste, realizado em Belém (PA), com o apoio do NAEA, em maio de 1993, registrou, entre os grupos temáticos, o referente à Mulher e Relações de Gênero, com inscrição de trabalhos de pesquisadores/as dessas duas regiões.

O evento internacional A Amazônia e a Crise da Modernização, promovido pelo Departamento de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi, à frente a Profa. Maria Ângela D’Incao, em setembro de 1993, reuniu em conferência “um número considerável de intelectuais brasileiros e estrangeiros, jornalistas, políticos e representantes de movimentos sociais interessados na questão da Amazônia“, com vista a discutir “as possibilidades do desenvolvimento sustentável dentro do ‘background’ dos grandes projetos, da industrialização e das metrópoles na Amazônia”. O GT Diversidade e Gênero acolheu a inscrição de cinco trabalhos, sendo quatro selecionados, para a composição do livro A Amazônia e a crise da modernização:Educação e (In)Submissão Feminina no Pará”, de Álvares; “Quando chega essa “ visita”, de Motta-Maués; “Mulher na padaria dá problema de amores”, de Edilza Fontes; e “Uma presença discreta: a mulher na pesca”, de Maneschy.

Estes eventos são demonstrativos da trajetória marcante de pesquisadoras/es que mantinham diálogo interdisciplinar com o assunto, alguns/as sendo remanescentes dos primórdios dos estudos, na UFPA, sobre a condição feminina, na década de 1980, como Maria Angélica Motta-Maués e Jane Felipe Beltrão.

Com isso, foi possível realizar uma agregação destas pesquisadoras em um grupo de estudos e, na manhã do dia 27 de agosto de 1994, numa reunião histórica, primeiramente, no auditório do então Centro de Filosofia e Ciências Humanas/UFPA, e para registrar formalmente a presença do grupo e a relação com a patrona, no dia seguinte, na Praça “Eneida de Moraes” (ainda em projeto) oficializou-se a criação do Grupo de Estudos e Pesquisas “Eneida de Moraes” sobre Mulher e Relações de Gênero - GEPEM.

Muitas histórias nesses 28 anos de presença numa sala de pesquisa nos altos do CFCH, liberada pela então diretora, Profa. Terezinha Gueiros, para meus estudos pessoais e de pesquisas, hoje identificada como “sala de pesquisa do GEPEM”.

O processo de construção de saberes num espaço onde o conhecimento científico tem um padrão tradicional, nestes 28 anos, manteve a presença constante de pesquisadoras/es da área de gênero e mulheres em atividades múltiplas e formatou a transversalidade entre as grandes teorias e os enfoques contemporâneos que expunham diferenciais nos marcadores sociais, quando se processavam com a perspectiva de gênero. Essa conquista de espaço pelo GEPEM com a problemática da diversidade pode ser evidenciada na produtiva aprovação de pesquisas com temas sobre a situação feminina, as construções e hierarquias de poder, as diferenças das relações entre homens e mulheres construídas culturalmente, as expressões de sexualidades, as questões étnicas – temas que têm agregado pesquisadores/as, bolsistas, orientandos de graduação e pós-graduação, com divulgação dos resultados em seminários, encontros, oficinas e outros eventos promovidos e/ou apoiados pelo grupo, não só em nivel local, mas regional e nacional.

Os estudos de gênero nos ajudaram a problematizar a noção de sujeito universal e mostrar o caráter hierárquico e assimétrico subjacente à construção de feminilidades e masculinidades. Eles nos ajudaram, também, a quebrar com a noção de identidades uniformes. A dar sustentabilidade ao que hoje as políticas públicas estão multiplicando em nome dos estudos de diversidade, educação e cultura. As marcas sociais foram cada vez mais introduzidas nas pesquisas a fim de dar conta da multiplicidade de práticas e representações de mulheres e homens, pautados em diferenças: étnicas, raciais, status e classe social, geração, sexualidade e orientação religiosa, para destacar apenas alguns dos principais marcadores. No percurso destas descobertas da potencialidade destes estudos, a cada dia se acham mais enriquecidas pelas versões da diversidade das áreas de conhecimento e das demandas sociais em problemas emergentes.

Ao criarem suas vertentes de estudos dentro de áreas de conhecimento onde se posicionaram na academia, pesquisadoras e pesquisadores continuam a aprendizagem desses estatutos procurando generificar alguns resultados que se institucionalizariam sem a base crítica dos estudos sobre gênero. Inseridas em linhas de pesquisa de programas de cursos de graduação e de pós-graduação, incorporam estas discussões em seus respectivos programas. Todas essas ações mostram a importância deste grupo de manter suas atividades e continuar aglutinando e dando visibilidade institucional às suas atividades, ampliando a rede de pesquisadores e pesquisas e a solidificando ações e intercâmbios já iniciados.

Desse leque acadêmico temos clara a nossa aliança com os movimentos de mulheres do Pará para subsidiarmos as questões teóricas com as discussões sobre as situações práticas vivenciadas e que se tornam as contribuições necessárias às linguagens e olhares de um cotidiano nem sempre visível ao conhecimento científico.

Ao longo desse período de atuação, manteve um fluxo permanente de atividades no formato de palestras, cursos, pesquisas e encontros integrados junto aos movimentos de mulheres e feministas, assim também, discussões específicas relativas ao meio ambiente regional e sobre as inquietações mais recentes da sociedade em torno da violência doméstica e sexual, trafico de mulheres e de pessoas e de outras ações que tendem a contribuir numa agenda política importante dos movimentos sociais.  

Desse compromisso acadêmico continuamos o pacto sempre presente nos objetivos iniciais firmados pelas mestras Edna Castro, Rosa Acevedo e Maria Angélica Maués sobre a questão da diversidade de gênero posicionadas na luta pelos direitos humanos.

Neste 27 de agosto de 2022, estamos em festa, recolhidos, ainda, devido ao tempo de pandemia e o isolamento social que retraduziu as atividades presenciais em eventos virtuais, estes ainda esporádicos entre nós. Mas vamos continuar nossa agenda de eventos, de projetos de pesquisa, de leituras em metodologia dirigida e outras arquiteturas que nos levem a avançar. Há esperança e fé.

GEPEM/UFPA! Presente!