quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CINE–GÊNERO - “NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO”



TEMA: SOLIDARIEDADE E AFETO NAS RELAÇÕES DE GÊNERO
(GEPEM 22 ANOS)

“NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO” (C'eravamo tanto amati,1974), de Ettore Scola (2h)
Dia: 30/08/2016
Hora: 9:00h
Local: Auditório do IFCH (altos)/Campus da UFPA
Debatedores: Maria Angelica Maués
                    Luzia Álvares
                   Telma Amaral
Debate-
Coffee Break –
Certificado de participação – 4 h
O enredo trata da história de três italianos – Gianni (Vittorio Gassman), Nicola (Stefano Satta Flores) e Antonio (Nino Manfredi) – que se tornam amigos na Resistência de combate ao nazismo, durante o ano de 1944, na Segunda Guerra Mundial. Scola compõe um painel seguindo 30 anos da vida italiana recortada pelo envolvimento desses três homens, completamente diferentes entre si, que se desencontram em uma outra batalha, a de conquistar o amor de uma mulher, Luciana (Stefania Sandrelli). Ela se torna a inspiração das estratégias que eles constroem para reconhecer a quem ama e nisso os quatro se desencontram sem perder a amizade. Há desilusão dos ideais que construíram percebendo que não mudaram o mundo mas mudaram algumas concepções.


22 ANOS DE ATIVIDADES – GEPEM /UFPA 2016


 Em 27/08/1994, um grupo de docentes, pesquisadoras/es e bolsistas da UFPA e UEPA criava o GEPEM/UFPA – Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Moraes sobre Mulher e Relações de Gênero”. Houve uma reunião histórica para registrar formalmente a presença do grupo, no auditório do então Centro de Filosofia e Ciências Humanas/UFPA, e, no dia seguinte, na Praça “Eneida de Moraes” (ainda em projeto) oficializando-se a criação do Grupo.
Para celebrar estes 22 anos de atividades pensou-se em uma sessão de Cine- Gênero, com um filme cuja trama vinculasse temas com as relações de gênero, amor, família, amizade e solidariedade, sendo escolhido “NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO” (C'eravamo tanto amati,1974), de Ettore Scola. Será no dia 30/08 às 9:00h, no Auditório do IFCH (altos)/Campus da UFPA.
O enredo trata da história de três italianos - Gianni (Vittorio Gassman), Nicola (Stefano Satta Flores) e Antonio (Nino Manfredi) – que se tornam amigos na Resistência de combate ao nazismo, durante o ano de 1944, na Segunda Guerra Mundial. Scola compõe um painel seguindo 30 anos da vida italiana recortada pelo envolvimento desses três homens, completamente diferentes entre si, que se desencontram em uma outra batalha, a de conquistar o amor de uma mulher, Luciana (Stefania Sandrelli). Ela se torna a inspiração das estratégias que eles constroem para reconhecer a quem ama e nisso os quatro se desencontram sem perder a amizade. Há desilusão dos ideais que construíram percebendo que não mudaram o mundo mas mudaram algumas concepções.
Após a exibição haverá debate entre os participantes
Um coquetel de congraçamento abraçará a todas e todos associadas/os e participantes. Festejamos a importância da permanência de estudos, pesquisas e demais atividades em que a questão de gênero tem sido uma constante no grupo. Celebração necessária para demonstrar essa persistência acadêmica agregada à extensão.


AGENDA DE ATIVIDADES GEPEM/UFPA - PROPOSTAS 2º SEMESTRE 2016

"AS DUAS FRIDAS" (1939)


Em mais um momento de organização das atividades do GEPEM, somente neste mês de agosto foi possível montar algumas propostas aqui apresentadas para este 2º semestre /2016. Houve preocupação em integrar as discussões sobre as teorias feministas (do 1º semestre) e as práticas de convivência entre grupos e movimentos sociais que têm o gênero como marcador.
Para celebrar os 22 anos de criação do GEPEM/UFPA, neste agosto, pensou-se em uma sessão de Cine- Gênero, com um filme que trate de temática vinculada em gênero, amor e família sendo escolhido “Nós que nos amávamos tanto”, Ettore Scola, 1974. Um coquetel de congraçamento abraçará a todas e todos associadas/os e participantes. Já pensou na importância de uma “tecla” permanente em torno de estudos, pesquisas e demais atividades em que a questão de gênero tem sido uma constante? Precisa-se celebrar, mesmo, essa persistência acadêmica agregada à extensão.
Um dos temas que não foi tratado no primeiro semestre - feminismo pós-colonial – iniciará esta nova fase da agenda, em setembro, a ser apresentado pela Doutora em Educação Adriane Raquel Santana de Lima, Professora da UEPA (e também do GEPEM). Título – “NÃO SOMOS UMA, SOMOS DIVERSAS; POR UM FEMINISMO DECOLONIAL”. Esse tema oferece motivo para apresentar–se em imagens. Há muitos filmes latino-americanos e de outras nacionalidades que tratam das relações de gênero nessas sociedades. Estamos na escolha de um título para a exibição nesse mês.
Em outubro, será a ocasião propícia para a exposição de uma temática não evidenciada teoricamente – participação política. E nesse período, a questão central registra as eleições municipais com candidaturas de homens e mulheres aos cargos parlamentares (vereadores) e majoritários (prefeitos). Dessa forma, um tema candente a propor é: “GÊNERO E POLÍTICA: PODER, PODERES” expondo-se em seminário a prática de polític@s em suas diferentes e atualizadas expressões de gênero, nos eixos de participação formal e não formal, as políticas de gênero e as políticas étnicas.
Outra atividade nesse mês é a exibição de um filme onde o tema do seminário tenha repercussão em imagens.
O mês de novembro inicia com uma data cujo tema ainda não foi debatido no grupo: a Morte. E a proposta é exibir um filme sobre o assunto GÊNERO E MORTE. Áreas de conhecimento como a antropologia, a sociologia, a filosofia, a literatura certamente terão focos para a discussão. A Profa. Adelma Pimentel propôs uma oficina “sobre solidariedade, com base no escopo fenomenológico heideggeriano sobre a nossa condição existenciaria de seres-para-a-morte, nossa condição ontológica; chamando os interessados em vivenciar a manifestação da existência através do pronunciamento da palavra dialogada: vida-morte.”
Em meados desse mês a Profa. Eunice Santos está propondo uma oficina ou minicurso envolvendo literatura ou linguística.
E no final de novembro teremos uma oficina: “POR UMA ESCRITA NÃO SEXISTA”, a ser ministrado pela Profa. Jorgete Lago (UEPA).
Para o mês de dezembro a proposta é apresentar uma síntese de práticas através de um “SARAU – GÊNERO E EXPRESSÕES ARTÍSTICAS” quando teremos Teatro, Dança, Poesia, Literatura, Cinema em sessões de expressão dessas artes. Sendo o mês do Natal e da passagem de ano poderíamos fazer as sínteses nesse foco?
As datas desta agenda ainda estão sendo negociadas. Até o final desta semana estaremos com os registros acertados pelo encaminhamento de propostas de tod@s associad@s. Para este e-mail e da secretaria do Gepem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - 10 ANOS - LUZIA ÁLVARES



Em 7 de agosto de 2006, o presidente Lula promulgou no Brasil a Lei 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha, ganhando este nome em referência à Maria da Penha Maia Fernandes, que durante vinte anos denunciou e lutou para que seu agressor – seu marido - fosse preso. Mas apesar de 100% das brasileiras conhecerem a Lei, promulgada há dez anos, uma em cada cinco mulheres já foi espancada pelo marido, companheiro, namorado ou ex. Segundo dados da pesquisa Data Senado realizada no período de 24 de junho a 7 de julho de 2015, elas ainda se sentem desrespeitadas, sendo as causas principais, o ciúme e a bebida (18%). Foram ouvidas 1.102 brasileiras numa série histórica que já se acha em sua sexta sequência, tendo iniciado em 2005 e aplicada a cada dois anos, com mulheres de todos os estados do país.
O enfoque mundial dado à violência contra a mulher revela-se uma questão das mais importantes para a luta pelos direitos humanos e a mais crucial tentativa de desmistificar as formas de relacionamento impositivo do controle masculino, milenarmente tratado como condição “natural”, justificadas em normas sociais baseadas nas relações de gênero, com valorização dos papeis masculinos em detrimento do feminino. O resultante desta valorização é a criação de relações assimétricas entre os dois gêneros fundantes – homem e mulher – que estabelece um tipo de violência mais conhecida como violência doméstica.
Quando, em 1994, a Organização dos Estados Americanos – OEA – realizou a Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher) a definição tomada como uma das cláusulas do documento assinado pelos participantes foi a de que: “A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens impedindo o pleno avanço destas últimas...”
Os estudos sobre o exercício da violência contra a mulher têm centrado explicações sobre a cultura da hierarquia de poder que domina a sociedade sendo legitimada pela ideologia que criou papéis sociais com base nas diferenciações de sexo. “Os papeis ensinados desde a infância fazem com que meninos e meninas aprendam a lidar com a emoção de maneira diversa. Os meninos são levados a reprimir as manifestações de emoção, amor, afeto e amizade, e estimulados a exprimir outras, como raiva, agressividade e ciúmes. Essas manifestações são tão aceitas que muitas vezes acabam representando uma licença para atos violentos” (portal violência contra a mulher). Por outro lado, a organização do lar reproduziu o confinamento feminino reforçando condições especificas para a esfera do privado, onde a mulher reduziu-se a instrumento de reprodução da sociedade (por via biológica), sendo o trabalho caseiro, na ordem da hierarquia social e econômica, considerado a atividade menos importante. Nessa condição, a mulher foi desviada de participação na vida pública e política, fornecendo-se apoios coercitivos para a sua exclusão, na base de concepções ideológicas atreladas a uma natureza que a configurava como frágil, sensível, pura, emotiva, contrapondo-se à natureza masculina vista como racional, fria, inteligente e forte. Dessa incursão ideológica fortalecida pela literatura, pelo saber médico e pela cultura, criou-se um modelo distinto de homem e outro de mulher. Modelos que deverão corresponder às funções esperadas desses cidadãos aos quais foram atribuídos papéis específicos. A fuga desses modelos levará, muitas vezes, a sessões de punição pelo que não foi seguido. E dessa forma, a penalização manifesta-se pelos extremos de brutalidade e até de sadismo praticados contra a mulher.
Além de ser uma questão cultural, política, jurídica este problema é, também, um caso de saúde pública. Muitas mulheres adoecem a partir de situações de violência em casa.
A violência doméstica ocorre numa relação afetiva, cuja ruptura demanda, via de regra, intervenção externa; deriva de uma organização social de gênero que privilegia o masculino; cria uma rotinização, contribuindo para a experiência da “co-dependência e do estabelecimento da relação fixada. Rigorosamente, a relação violenta se constitui em verdadeira prisão. Neste sentido, o próprio gênero acaba por revelar uma camisa de força: o homem deve agredir porque macho deve dominar a qualquer custo; e a mulher deve suportar agressões de toda ordem, porque seu “destino” assim determina” (Saffioti (2000).
Mas o que tem sido revelado pelas brasileiras?
Segundo a pesquisa do DataSenado 2015 (http://www.senado.leg.br/) a Lei Maria da Penha tende a possibilitar “a prisão em flagrante do agressor, ou mesmo a prisão preventiva, quando houver indícios de ameaça à integridade física da mulher. Além disso, medidas protetivas foram estabelecidas, como: afastar o agressor do domicílio em situações de risco de vida da vítima, ou ainda proibir que ele se aproxime da mulher agredida e dos filhos”. Contudo, se em 2013, 35% das entrevistadas afirmavam que não eram tratadas com respeito no Brasil, em 2015 43% consideraram que essa percepção ainda se observa, possibilitando verificar uma piora de oito pontos percentuais. São as mais idosas (52%) e as menos escolarizadas (53%) que tendem a perceber essa situação, com as empregadas domésticas as que mais sentem falta de respeito (59%), enquanto categoria profissional.
Mas se nos anos anteriores as brasileiras acreditavam menos na proteção da Lei Maria da Penha (66%) hoje houve um decréscimo desse percentual e somente 56% perceberam não proteção com a aplicação da Lei.
Um dado bem evidente é a referência percentual ao agressor – 49% apontaram o próprio marido ou companheiro responsável pela violência praticada, seguindo-se a menção de 21% ao ex-namorado, ex-marido ou ex-companheiro. O namorado também está nesse clima, com 3% denunciando-se vítimas deste tipo. Na contagem geral, a revelação é assustadora: 73% das mulheres vítimas de violência doméstica “tiveram como opressor pessoa do sexo oposto sem laços consanguíneos e escolhida por elas para conviver intimamente”. E outro dado é que desse grupo 26% ainda se acham convivente com seu agressor e 14% permanecem nos estágios de violência.

Muito triste: as mulheres serem tratadas dessa forma por cidadãos de um país! 



http://feminismoaqui.tumblr.com/post/77905118582/