segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CRÍTICA FEMINISTA, TEORIA POLÍTICA E DEMOCRACIA

  Grupo de Estudos e Pesquisas “Eneida de Moraes” sobre Mulher e Relações de Gênero – GEPEM 


MINICURSO -  GÊNERO E POLÍTICA

Período : 19 a 21/10/2016
Hora: : 14 as 18 h
Local : Auditório do Instituto de Filosofia e Ciêncis Humanas/altos
            Campus do Guamá.
Ministrante : Nilson Sousa Filho. 
Parte integrante da vida política e social é excluída pelo conhecido acordo original. É nessa afirmação que Carole Pateman apresenta sua teoria política em O Contrato Sexual (1993), um livro indispensável para o debate político, no Brasil e no mundo, que controverte a liberdade civil e o direito patriarcal.
As definições estruturantes da socialização, as representações do que é ser “homem” e “mulher” alicerçaram-se nas diferenças sexuais, tornando-as acima de tudo diferenças políticas, e foi nessa caricatura que a sociedade civil se organizou, distribuindo direitos aos homens, mas reservando às mulheres a imagem refletida da sua própria natureza, atribuindo-as à esfera privada, encerrada como politicamente irrelevante.
Apesar de a história completa ter sido sufocada, as práticas do movimento feminista desnudou aspectos tanto da teoria quanto da vida política. Na concepção de Anne Phillips (1996), o Feminismo emerge como enfrentamento ao poder arbitrário, impugnando a imagem hierárquica dos gêneros, resignificando a relação sexual e desestruturando a ordem social patriarcal. Em Género y Teoría Democrática (1996), a autora evidencia que a ideia democrática de organização política, entendida como contrária à monarquia, teria o mesmo fundo de razão do feminismo pois ambas abordam noções de igualdade. Contudo, apesar de pensarmos que os ideais de igualdade as unam, não há demonstração de que isso seja automático. É o movimento ativo das mulheres, na exigência de direitos democráticos para elas, que estabelece vínculos com essa tradição.
A Crítica Feminista alterou, portanto, o status quo. Transformou o mainstream da Ciência Política e reeditou a Teoria Política e Democrática, e, sobretudo, subverteu modo de pensar, ser e fazer das mulheres (e dos homens) na sociedade. Uma relação de poder desestabilizada e protestada por um movimento emergente ainda no século XVII – o Feminismo. (NF)
Há uma bibliografia a seguir: "PATEMAN, Carole. O Contrato Sexual. Paz e Terra, 1993; PHILLIPS, Anne. Gênero & Teoria Democrática. UNAM, 1996. A serem disponibilizados na xerox do IFCH.
A síntese aos enfoques das duas teóricas feministas analisadas e estudadas nos dias 19 e 20, será debatida no filme a ser exibido no dia 21/10 : "PAULINA" (Argentino, 2016), de Santiago Mittre. O argumento se traduz na discussão sobre as convicções entre a sua carreira de advogada, a condição de ensino da política e cidadania numa comunidade pobre e sua posição após ser estuprada por um aluno.
Filme polêmico e muito eficiente nessa discussão sobre cidadania e democracia. 

PATEMAN, Carole. O Contrato Sexual. Paz e Terra, 1993 >>BAIXAR<<   >>VER ONLINE<<
PATEMAN, Carole. Críticas feministas à dicotomia público/privado  >>BAIXAR<<
SLIDE. Género y teoria democrática. Gepem, 2016 <<BAIXAR>>

PHILLIPS, Anne. O que há de errado em ser liberal. RBCP, n6, Brasília, Julho-Dezembro de 2011 <<BAIXAR>>
CYFER, Ingrid. Liberalismo e feminismo: Igualdade de gênero em Carole Pateman e Martha Nussbaum. Rev. Sociologia Política, Curitiba, V. 18, 2010 <<BAIXAR>>